Guia Completo da
Reforma Tributária
para o Simples Nacional
Tudo o que o empresário do Simples precisa saber sobre o que muda, o que fazer e quando decidir, em linguagem simples e direta.
Quer entender, em 15 minutos, como a Reforma pode impactar o seu negócio?
Este guia mostra o tamanho do problema, mas cada empresa é um caso. Se preferir, chame nossa equipe para um bate-papo sem compromisso e veja como a Accertive pode ajudar a sua empresa a decidir com segurança.
O que é a Reforma Tributária e por que ela aconteceu
O Brasil tinha um dos sistemas tributários mais complexos do mundo. A Reforma veio para simplificar, mas para as empresas do Simples Nacional, a mudança vai muito além da simplificação.
Por que o Brasil precisava mudar
Durante décadas, o Brasil acumulou impostos em cima de impostos. PIS, COFINS, ICMS, ISS, IPI, cada um com suas regras, bases de cálculo, exceções e burocracia. Um produto que saía de uma fábrica no Sul e chegava ao consumidor no Nordeste pagava imposto em cada etapa do caminho. E pagava de novo. E de novo.
Esse sistema criava uma distorção grave: o imposto era cobrado sobre o imposto, o chamado "efeito cascata". O resultado era um produto artificialmente mais caro, uma empresa com mais custo e um país menos competitivo.
A Reforma Tributária aprovada em 2023 veio para acabar com isso, substituindo esses cinco tributos por um sistema baseado na lógica do crédito tributário.
O que muda na prática
| O que sai | O que entra | Quem arrecada | Quando |
|---|---|---|---|
| PIS e COFINS | CBS, Contribuição sobre Bens e Serviços | Federal | 2027 |
| ICMS e ISS | IBS, Imposto sobre Bens e Serviços | Estados e Municípios | Transição 2029–2032 · extinção em 2033 |
| IPI (parcial) | IS, Imposto Seletivo | Federal | 2027 |
O IPI não será totalmente extinto, produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente (cigarros, bebidas alcoólicas, certos combustíveis) continuarão sendo tributados pelo Imposto Seletivo.
O cronograma da transição
A Reforma não acontece de uma hora para outra. Haverá um período de transição de 2027 a 2033:
O ponto mais importante deste capítulo
A Reforma não é só uma troca de nomes de imposto. Ela muda a lógica fundamental, de um sistema cumulativo para um sistema de crédito. Essa mudança afeta as relações comerciais entre empresas. É sobre isso que os próximos capítulos tratam.
O Simples Nacional continua existindo?
Sim. O Simples Nacional não acaba. Mas ele ganha uma nova opção, e a escolha entre as duas versões pode ser a decisão empresarial mais importante dos próximos anos.
O Simples não vai acabar
Esta é a primeira coisa a deixar clara: o Simples Nacional não será extinto. Empresas com faturamento até R$ 4,8 milhões por ano continuarão podendo optar pelo regime simplificado, pagando um único boleto (DAS) que concentra todos os tributos.
O que muda é que o Simples Nacional passará a ter duas modalidades, e você precisará escolher qual delas faz mais sentido para o seu negócio.
Qual a diferença na prática?
Imagine que você vende uma peça por R$ 1.000 para um cliente empresa do Regime Geral. No sistema atual, seu cliente paga R$ 1.000 e pronto.
A partir de 2027, se você optar pelo Simples Híbrido, sua nota fiscal vai destacar o CBS, digamos, R$ 93,30 para cada R$ 1.000. Seu cliente pode usar esse valor como crédito para abater dos impostos que ele deve. Para ele, o custo efetivo da compra cai.
Se você permanecer no Simples Normal padrão (sem optar pelo Híbrido), o CBS não é destacado. Seu cliente não pode se creditar de nada. Para ele, comprar de você ficou mais caro do que comprar de um concorrente que gera crédito.
Empresa A (Simples Normal) vende por R$ 1.000. Cliente no Regime Geral paga R$ 1.000 sem crédito.
Empresa B (Simples Híbrido) vende por R$ 1.000. Cliente no Regime Geral paga R$ 1.000 mas recupera R$ 93,30 em crédito de CBS. Custo efetivo: R$ 906,70.
Do ponto de vista do cliente, a Empresa B está "cobrando" R$ 93,30 a menos, mesmo com o mesmo preço na nota.
O prazo para escolher
Atenção ao prazo: A opção pelo Simples Híbrido (recolhimento do IBS/CBS por fora do DAS) para o 1º semestre de 2027 (janeiro a junho) deve ser feita entre 1º e 30 de setembro de 2026. Para o 2º semestre (julho a dezembro), o prazo é abril de 2027. A opção pode ser cancelada até novembro/2026. Quem não optar recolhe dentro do DAS normalmente, sem gerar crédito.
O ponto mais importante deste capítulo
O Simples Normal padrão e o Simples Híbrido não são "caro" vs "barato". São escolhas estratégicas. O Normal custa menos em imposto, mas pode custar mais em competitividade. A decisão certa depende de quem são seus clientes e seus fornecedores.
Escolher o regime certo é uma decisão de gestão, não de apuração de imposto.
Seu contador apura os tributos com excelência, mas decidir entre Simples Normal e Híbrido é posicionamento competitivo: depende dos seus clientes, dos seus fornecedores e do seu mercado. É esse tipo de análise que a Accertive faz, e que a maioria das contabilidades não entrega, porque não é o papel delas.
O que é crédito tributário e por que você precisa entender isso
Crédito tributário é o conceito central da Reforma. Entender como ele funciona é a chave para tomar a decisão certa de regime, e para manter sua empresa competitiva.
A lógica da não-cumulatividade
No sistema atual, o imposto é cobrado em cada etapa da cadeia produtiva, acumulando ao longo do caminho. O novo sistema CBS/IBS funciona diferente: cada empresa só paga o imposto sobre o valor que ela agrega. O imposto pago nas compras (crédito de entrada) é descontado do imposto cobrado nas vendas (débito de saída).
Cenário de referência: 2027. Os exemplos deste capítulo usam a alíquota do CBS em 9,33%, a referência estimada pelo governo para substituir PIS e Cofins a partir de 2027. O IBS existe em paralelo, mas em 2027 ainda é apenas 0,1% (simbólico, testando o sistema). Só começa a escalar a partir de 2029, atingindo o patamar pleno em 2033.
1. Mineradora extrai minério e vende por R$ 100. CBS: R$ 9,33. Ela paga R$ 9,33.
2. Siderúrgica compra o minério (crédito de R$ 9,33), transforma em aço e vende por R$ 300. CBS débito: R$ 27,99. Paga R$ 27,99 − R$ 9,33 = R$ 18,66.
3. Indústria compra o aço (crédito de R$ 27,99), fabrica peças e vende por R$ 600. CBS débito: R$ 55,98. Paga R$ 55,98 − R$ 27,99 = R$ 27,99.
Somando o que cada empresa recolheu ao Fisco (R$ 9,33 + R$ 18,66 + R$ 27,99) = R$ 55,98, que equivale a 9,33% de R$ 600. O imposto incidiu apenas sobre o valor agregado em cada etapa, sem cascata.
Na prática: o que isso significa quando você é o fornecedor
O exemplo acima mostra como a não-cumulatividade funciona dentro da cadeia. Mas o ponto que mais importa para a sua empresa é outro: se o seu cliente é do Regime Geral, ele paga imposto diferente dependendo de quem ele compra. E essa diferença vira pressão direta sobre o seu preço.
Uma indústria do Regime Geral precisa comprar R$ 300 de insumo. Ela tem dois fornecedores possíveis para o mesmo produto, no mesmo preço de tabela.
| Para a indústria compradora | Comprando de você (Simples Normal) | Comprando do concorrente (Regime Geral) |
|---|---|---|
| Preço na nota | R$ 300,00 | R$ 300,00 |
| CBS destacado na nota | não gera crédito cheio | R$ 27,99 |
| Crédito que o cliente recebe | R$ 0 | R$ 27,99 |
| Custo efetivo da compra | R$ 300,00 | R$ 272,01 |
Mesmo produto. Mesmo preço de tabela. Mas o cliente gasta R$ 27,99 a mais comprando de você, porque deixa de recuperar esse valor em crédito. Para você manter o negócio, precisaria conceder um desconto de até 9,33% sobre o preço, o que pode comprometer sua margem. A alternativa é perder o cliente para o concorrente.
Regra prática: para cada R$ 1.000 que você vende para um cliente do Regime Geral em 2027, ele paga até R$ 93,30 a mais em imposto comprando de você (Simples Normal) do que de um concorrente que gera crédito cheio. Multiplique isso pelo seu faturamento anual com clientes RG, esse é o tamanho do risco competitivo concreto da Reforma para a sua empresa, já em 2027. E essa pressão vai escalar ano a ano até 2033.
Quem pode se creditar e quem não pode
Por que isso afeta sua empresa
Se você vende para uma empresa do Regime Geral e está no Simples Normal, seu cliente paga mais imposto do que pagaria se comprasse de um concorrente que gera crédito. Ele vai perceber isso, e vai usar como argumento para pedir desconto ou trocar de fornecedor.
Do outro lado: quando você compra de um fornecedor no Regime Geral ou que optou pelo Simples Híbrido, você recupera 9,33% do valor pago em crédito de CBS (em 2027). Isso reduz o custo efetivo das suas compras, mas só se você também tiver optado pelo Simples Híbrido.
A lógica do crédito cria um efeito dominó na cadeia. Empresas do Regime Geral vão preferir comprar de fornecedores que geram crédito, porque é mais barato para elas. Se você não gera crédito, vai precisar compensar esse custo de alguma forma para manter o cliente.
O ponto mais importante deste capítulo
Crédito tributário não é um benefício fiscal obscuro. É uma vantagem econômica concreta que vai aparecer na hora de fechar negócio. Quem gera crédito tem um produto efetivamente mais barato para o comprador, mesmo que o preço na nota seja igual.
Quais empresas do Simples correm mais risco, e o papel dos seus clientes e fornecedores
O risco não depende só do que você faz. Depende de quem compra de você, de quem você compra, e do regime tributário de cada um. A cadeia inteira importa.
O risco vem de dois lados da sua empresa
O impacto real da Reforma vem de dois lados simultaneamente:
- Lado dos clientes: se eles estiverem no Regime Geral (ou optarem pelo Simples Híbrido), vão querer crédito na compra. Se você não gerar esse crédito, você fica mais caro para eles, mesmo sem mudar seu preço.
- Lado dos fornecedores: se os seus fornecedores estiverem no Regime Geral ou tiverem optado pelo Simples Híbrido, e você também tiver optado pelo Híbrido, você pode se creditar do CBS/IBS das compras, reduzindo seu custo. Se seus fornecedores forem Simples Normal, você não recupera nada, independentemente do seu regime.
A situação mais favorável é ter fornecedores que geram crédito (você economiza na compra) e clientes que não exigem crédito (você não perde competitividade na venda). A mais desfavorável é o oposto.
Visualizando a sua posição na cadeia
O fornecedor importa tanto quanto o cliente
Um erro comum é olhar só para os clientes quando se analisa o risco da Reforma. Mas o regime do seu fornecedor impacta diretamente o custo das suas compras, caso você opte pelo Simples Híbrido.
Para cada R$ 1.000 comprado de um fornecedor no Regime Geral em 2027, você recupera R$ 93,30 em crédito de CBS. Se você compra R$ 300.000 por ano de fornecedores RG, isso representa R$ 27.990/ano em custo que deixa de existir, só em 2027. Esse crédito vai aumentar conforme o IBS entra em vigor a partir de 2029.
Mas se seus fornecedores principais forem Simples Normal, esse crédito não existe, e o Simples Híbrido perde grande parte da sua vantagem. Por isso o mapeamento dos fornecedores é tão crítico quanto o dos clientes.
Fornecedores Simples que migram também mudam o cenário: se um fornecedor seu no Simples Normal optar pelo Simples Híbrido, você passa a ter direito ao crédito das compras dele, o que melhora seu cenário. As análises precisam considerar que o mercado todo estará se adaptando.
O risco dos clientes Simples que migram para o Simples Híbrido
Há um risco adicional que muitas empresas ainda não perceberam: seus clientes Simples Nacional podem optar pelo Simples Híbrido em 2027. E se isso acontecer, eles também passarão a gerar crédito CBS/IBS na nota, alinhando-se aos clientes do Regime Geral em termos de exigência por crédito.
Imagine que hoje 60% dos seus clientes são Simples, e você pensa "então não há pressão". Mas se metade desses clientes migrar para o Simples Híbrido, e se eles forem revendedores ou prestadores que servem a clientes do RG, a cadeia de exigência de crédito vai se propagar. A pressão chega sem você ter se preparado.
O efeito dominó da Reforma: quando grandes empresas do Regime Geral começarem a priorizar fornecedores que geram crédito, os fornecedores intermediários precisarão migrar para o Simples Híbrido, e aí começarão a exigir o mesmo dos seus fornecedores. A pressão pode chegar até você mesmo que seus clientes diretos sejam Simples Nacional hoje.
Perfis de risco por tipo de negócio
Quiz, Qual é o risco da Reforma para o seu negócio?
É urgente para você? Faça este check de 30 segundos
Marque mentalmente cada item que se aplica à sua empresa. Se você responder "sim" para qualquer um deles, o Diagnóstico Tributário deveria estar na sua agenda agora, não em agosto/2026.
Esta é a regra prática mais simples. Acima de 30% de receita B2B, a Reforma vai mexer com a sua competitividade, e o impacto é proporcional ao percentual.
Se sim, eles vão aparecer como "fornecedor que gera crédito" antes de você se preparar. O primeiro a se mover ganha vantagem; o último a decidir perde cliente sem entender por quê.
Decidir regime tributário com base em "achismo" ou conversa de corredor é o erro mais caro que uma empresa do Simples pode cometer em 2027. A diferença entre regimes pode passar de R$ 50k/ano em empresas de R$ 1M de faturamento.
O ponto mais importante deste capítulo
O seu nível de risco depende de três perguntas: Quem são meus clientes e qual o regime deles? Quem são meus fornecedores e qual o regime deles? Qual proporção da minha receita vem de cada perfil? Com essas respostas, a decisão deixa de ser um chute e passa a ser um cálculo.
Quer saber o que essas três perguntas significam, em reais, para a sua empresa?
Essa conta só fecha com os seus dados na mesa, e é uma análise de gestão, não de contabilidade. Chame nossa equipe para um bate-papo e entenda o seu nível de risco antes de qualquer decisão.
Simples Normal, Simples Híbrido ou Lucro Presumido?
Não existe o regime "melhor" em abstrato. Existe o regime mais eficiente para o seu perfil específico, e a única forma de saber qual é esse é simulando com os seus próprios números.
Os três regimes em linguagem simples, cenário 2027
* Alíquotas aproximadas para Anexo III do Simples (serviços com fator-r atendido); variam por anexo e faixa de faturamento. ** Presunção de 32% para serviços (bens caem para ~2,28%). Adicional de 10% de IRPJ quando lucro presumido mensal excede R$ 20.000. *** INSS patronal 20% + RAT ~2% + terceiros ~5,8% + FGTS 8%, incidentes sobre a folha de pagamento.
A armadilha da comparação só por % sobre receita: olhar só para a coluna "tributos sobre receita" é o erro mais comum na decisão de regime. No Simples, os encargos sobre folha (INSS patronal, RAT, terceiros, FGTS) já estão dentro do DAS. No Lucro Presumido, não, eles incidem por fora, a ~35,8% da folha. Em negócios intensivos em mão de obra, isso muda completamente o resultado.
Exemplo numérico comparativo, serviço B2B em 2027
Empresa prestadora de serviços com R$ 100.000/mês de receita e R$ 30.000/mês de folha. Todos os três regimes lado a lado, considerando a alíquota do CBS em 9,33% e a manutenção do ISS em 3%:
| Item mensal | Simples Normal | Simples Híbrido | Lucro Presumido |
|---|---|---|---|
| DAS / IRPJ + CSLL | R$ 10.450 | R$ 5.950 | R$ 7.680 |
| CBS sobre receita | incluso no DAS | R$ 9.330 (destacado) | R$ 9.330 |
| ISS (3%) | incluso no DAS | incluso no DAS | R$ 3.000 |
| Encargos sobre folha (35,8%) | inclusos no DAS | inclusos no DAS | R$ 10.740 |
| Carga bruta mensal | R$ 10.450 | R$ 15.280 | R$ 30.750 |
| (–) CBS destacado absorvido pelo cliente via crédito | , | (R$ 9.330) | (R$ 9.330) |
| Carga efetiva mensal | R$ 10.450 | R$ 5.950 | R$ 21.420 |
| % efetiva sobre receita | 10,45% | 5,95% | 21,42% |
A leitura honesta deste exemplo é contra-intuitiva: quem "parecia" mais barato (LP pela coluna simplificada de tributos sobre receita) é o mais caro, porque a folha de pagamento entra por fora a 35,8%. E o Simples Híbrido, que em 2027 custa ~6% efetivo, ainda tem a vantagem de gerar crédito para o cliente, o oposto do Simples Normal, que custa ~10% sem gerar crédito.
Quando o cenário se inverte: esse resultado depende fortemente do tamanho da folha. Para empresa de comércio ou distribuição com a mesma receita (R$ 100k) mas folha de R$ 8.000, os encargos do LP caem para ~R$ 2.860/mês, e o presumido entra em presunção de 8% (IRPJ+CSLL ≈ 2,28%). Nesse caso, o LP pode ser comparável ou mais barato que o Simples, mas essa análise precisa dos seus números reais, não de médias.
Juntando os dois lados, a conta que decide a migração para o Simples Híbrido
Comparar só a carga tributária dos regimes em abstrato ignora o que realmente define a decisão: o peso dos dois lados da sua cadeia. A conta real tem três componentes que precisam ser somados:
- Lado das compras: quanto você recupera em crédito de CBS ao comprar de fornecedores RG (se migrar para o Híbrido).
- Lado das vendas: quanto de pressão competitiva você evita, porque seu cliente RG passa a ganhar crédito comprando de você.
- Custo fiscal da migração: o delta entre o DAS unificado do SN e o DAS reduzido + CBS líquido do SH.
Empresa de serviço B2B, R$ 100.000/mês de receita, R$ 40.000/mês de compras, 70% dos fornecedores no Regime Geral, 50% das vendas para clientes RG (que vão querer crédito).
| Item mensal | Simples Normal (permanecer) | Simples Híbrido (migrar) |
|---|---|---|
| DAS (unificado ou reduzido) | R$ 10.450 | R$ 5.950 |
| CBS devido sobre vendas (9,33%) | incluso no DAS | R$ 9.330 |
| (–) Crédito CBS de compras RG 70% × R$ 40.000 × 9,33% | , | (R$ 2.612) |
| CBS líquido a recolher | , | R$ 6.718 |
| Carga tributária direta | R$ 10.450 | R$ 12.668 |
| Delta fiscal direto | , | +R$ 2.218/mês |
| Pressão de desconto de clientes RG 50% × 9,33% × R$ 100.000 · risco máximo | até R$ 4.665 | R$ 0 |
| Custo total (fiscal + pressão competitiva) | R$ 15.115 | R$ 12.668 |
| Resultado líquido | , | −R$ 2.447/mês a favor do Híbrido |
A leitura honesta: o Simples Híbrido custa R$ 2.218 a mais em imposto direto neste perfil. Mas elimina uma pressão competitiva que poderia chegar a R$ 4.665/mês. Na soma final, o Híbrido é ~R$ 29.000/ano mais vantajoso, exatamente porque o crédito recuperado nas compras e a competitividade preservada nas vendas compensam o custo fiscal adicional.
E se os percentuais forem diferentes? Esse cálculo é extremamente sensível ao seu perfil real:
• 20% vendas RG + 30% compras RG → a vantagem provavelmente vira para o Simples Normal.
• 80% vendas RG + 80% compras RG → o Simples Híbrido dispara na frente, com vantagem de ~R$ 60k+/ano.
• Folha alta (serviços) → Lucro Presumido fica fora de jogo, independentemente dos outros fatores.
• Setor com insumos de baixo valor (serviços puros) → o crédito de compras é pequeno, e o peso fica todo no lado das vendas.
É literalmente o tipo de conta que ninguém faz no guardanapo. Exige cruzar sete variáveis que só a sua empresa tem: faturamento anual, % vendas para clientes RG, % compras de fornecedores RG, valor absoluto das compras, folha bruta, setor/anexo do Simples e UF do cliente principal. Cada combinação muda o resultado, e muda o regime recomendado. É exatamente essa conta que o Diagnóstico Tributário da Accertive faz com os seus números reais, não com médias de setor.
O que pesa na decisão
- % de clientes no Regime Geral: quanto maior, mais pressão por crédito e mais vantajoso é o Simples Híbrido ou Lucro Presumido.
- % de compras de fornecedores RG: quanto maior, mais crédito de entrada disponível no Simples Híbrido.
- Faturamento total: próximo do limite de R$ 4,8M, o Lucro Presumido começa a ser comparável.
- Exportação: exportações são isentas, reduzem a receita tributável e melhoram o cenário do SN Normal.
- Complexidade tolerada: sair do Simples implica mais obrigações e custo contábil.
O fator decisivo que a maioria ignora
A maioria das análises compara só a carga tributária. Mas o fator mais importante pode ser o custo de competitividade.
Se você ficar no Simples Normal e seus clientes RG começarem a pedir desconto, a diferença de regime passa a ser paga de outra forma, na sua margem. Um desconto de 3% sobre R$ 500.000 em vendas para clientes RG é R$ 15.000/ano saindo do seu lucro.
Nesse cenário, o custo real do Simples Normal não é só o DAS. É o DAS mais os descontos que você vai precisar dar, e isso pode ser maior que a diferença de carga tributária entre os regimes.
A regra prática: se mais de 30% da sua receita vem de clientes Regime Geral, e se mais de 40% das suas compras vêm de fornecedores Regime Geral, vale simular o Simples Híbrido com um diagnóstico detalhado. A conta de "qual tem menos imposto" pode estar ignorando um custo competitivo muito maior.
Indicação rápida por perfil
Combinando os fatores acima, esta é uma indicação inicial, sempre sujeita a confirmação por simulação detalhada com os seus números:
| Perfil | Clientes | Fornecedores | Indicação inicial |
|---|---|---|---|
| Indústria metalúrgica B2B | 70%+ RG | 55%+ RG | Simples Híbrido |
| Comércio varejista de roupas | 90% CPF | 40% RG | Simples Normal |
| Prestadora de TI B2B | 80%+ RG | Insumos baixos | Simples Híbrido |
| Restaurante | 100% CPF | 50% RG | Simples Normal |
| Distribuidora atacadista | 60%+ RG | 70%+ RG | Simples Híbrido |
| Exportadora industrial | 50%+ exterior | 50% RG | Depende do mix interno |
Por que o Lucro Presumido não aparece como indicação primária: nos exemplos numéricos detalhados deste capítulo, o LP saiu mais caro em todos os perfis com folha relevante (serviço/indústria), porque os encargos de ~35,8% sobre a folha entram por fora. O LP só compensa em casos muito específicos: empresas com folha baixíssima (<10% da receita), faturamento próximo do teto do Simples (R$ 4,8M), ou setores com benefícios fiscais específicos. Para a maioria dos perfis acima do Simples Nacional, a decisão real é entre Simples Normal e Simples Híbrido, não entre ficar no Simples ou sair.
O ponto mais importante deste capítulo
Não existe regime certo em abstrato. Existe o regime certo para os seus números. A única forma de saber qual é fazer uma simulação com os dados reais da sua empresa.
A conta que decide entre Normal, Híbrido e Lucro Presumido, feita com a sua realidade, não com exemplo de tabela.
É exatamente isso que a Accertive entrega: as três colunas lado a lado com o seu faturamento, a sua folha, os seus clientes e fornecedores, e uma recomendação formal. É decisão de gestão, e precisa ser tomada antes de setembro/2026.
O impacto da Reforma no preço de venda
O regime tributário escolhido afeta diretamente o preço que você consegue praticar mantendo a mesma margem. Entender isso é fundamental para não precificar no escuro.
Por que o preço de venda precisa ser repensado
Até 2026, formar preço seguia uma lógica relativamente simples: custo + margem + impostos do regime atual. A partir de 2027, essa conta passa a ter uma variável a mais, e ela vem do lado do cliente: quanto ele consegue recuperar em crédito de CBS comprando de você.
Isso significa que o preço deixou de ser uma decisão isolada da empresa. Ele depende:
- Do regime tributário escolhido, porque cada regime tem uma carga diferente sobre o faturamento.
- Do perfil dos seus clientes, porque clientes RG recuperam o CBS, e clientes CPF/Simples Normal não.
- Do perfil dos seus fornecedores, porque comprar de fornecedores RG gera crédito de CBS para você (se estiver no Simples Híbrido), reduzindo seu custo efetivo.
Quem não considerar essas três variáveis na formação de preço vai cobrar errado a partir de 2027, para mais ou para menos. Em qualquer dos casos, perde competitividade ou perde margem.
Por que o regime muda o preço
Cada regime tem uma carga diferente sobre o faturamento. Para um mesmo custo e uma mesma margem desejada, o preço de venda necessário é diferente em cada regime. Em 2027, a lógica fica assim:
- Simples Normal: DAS de ~10,45% já inclui tudo (ICMS/ISS, CPP/INSS, IRPJ, CSLL, CBS). Mas o cliente RG não recupera crédito, ele paga o preço cheio.
- Simples Híbrido: DAS reduzido de ~5,95% mais o CBS de 9,33% destacado na nota. O cliente RG recupera o CBS como crédito, então o custo efetivo para ele é menor que o preço de tabela. Em quase todos os cenários com clientes RG, é o regime que permite o menor preço efetivo.
- Lucro Presumido: a soma IRPJ + CSLL + CBS + ISS parece competitiva olhando só os percentuais sobre receita. Mas a folha entra separada a ~35,8% (INSS patronal + RAT + terceiros + FGTS), o que pode inviabilizar o regime em negócios com muita mão de obra.
Atenção ao IPI: para empresas industriais, o IPI não entra no preço de venda, ele é cobrado por fora, destacado na nota fiscal. O comprador paga o preço do produto mais o IPI. Isso é diferente do ICMS, que já está embutido no preço.
O que acontece com sua margem se não se adaptar
Tem três efeitos diretos quando uma empresa do Simples Normal não revisa a estratégia de preço a partir de 2027:
- Pressão direta de desconto: seus clientes RG vão pedir desconto porque não estão recebendo crédito comprando de você. Cada ponto de desconto sobre vendas para clientes RG reduz diretamente seu lucro líquido, não é redução de receita, é redução de margem.
- Perda silenciosa de cliente: seu cliente RG não pede desconto, simplesmente migra para um concorrente que gera crédito. Você só descobre quando o pedido do mês não chega. Aqui você perde a receita inteira, não apenas a margem.
- Erro de precificação por baixo: ao tentar segurar o cliente RG, você reduz preço sem refazer a conta de regime. Acaba operando com margem negativa em metade da carteira sem perceber, porque o demonstrativo gerencial não separa cliente RG de cliente CPF.
O ponto mais importante deste capítulo
A formação de preço depois de 2027 precisa considerar não só custos e margem, mas também o crédito que o seu cliente consegue aproveitar. Um preço aparentemente mais caro de um fornecedor que gera crédito pode ser, na prática, mais barato para o comprador. E, do outro lado, um preço aparentemente competitivo do Simples Normal pode estar deixando o cliente RG ~9,33% mais caro do que um concorrente equivalente no Simples Híbrido.
Por que você precisa de uma calculadora de precificação
Os fatores acima não cabem numa conta de cabeça. Para acertar o preço de venda em cada produto ou serviço, considerando as variáveis da Reforma, é necessário cruzar:
- Custo direto e despesas fixas rateadas por unidade
- Margem alvo
- Carga do regime tributário (DAS, CBS, IRPJ, CSLL, ISS, ICMS)
- Encargos sobre folha (relevante no Lucro Presumido)
- Percentual de fornecedores RG (define crédito recuperado nas compras)
- Percentual de clientes RG na carteira (define preço efetivo ponderado)
- UF do cliente principal (alíquota de ICMS aplicável)
Sem uma ferramenta que cruze esses dados, a empresa precifica no escuro. E precificar no escuro a partir de 2027 vai custar caro de duas formas: ou perdendo cliente para concorrente que gera crédito, ou apertando margem desnecessariamente para reter cliente que poderia ser mantido com a precificação certa.
A calculadora de precificação está incluída como bônus exclusivo no Diagnóstico Tributário da Accertive. A ferramenta cruza as variáveis explicadas neste capítulo, custos, margem, regime, folha, mix de fornecedores e mix de clientes, e calcula o preço correto em cada regime, incluindo o custo efetivo ponderado para a sua carteira. Você insere os dados do seu negócio na calculadora; ela faz o cálculo certo, alinhado às alíquotas vigentes em cada janela da transição. É a aplicação prática da lógica deste capítulo, com a precisão e a metodologia que uma planilha caseira não entrega, e fica disponível para você usar continuamente, sem depender de uma nova consultoria a cada produto novo.
O prazo e o que fazer agora
Setembro de 2026 não é uma data distante. É o prazo final para uma decisão que vai afetar sua empresa por no mínimo 7 anos. E a análise precisa vir antes disso.
Entenda os prazos com precisão
A opção pelo Simples Híbrido é semestral:
• Opção de 1º a 30 de setembro/2026 → vale para janeiro a junho/2027
• Opção até abril/2027 → vale para julho a dezembro/2027
• A opção pode ser cancelada até novembro/2026; passada essa data, vale para todo o semestre escolhido
Isso significa que você tem uma janela curta para revisar a decisão depois de optar, mas, depois de novembro/26, o regime vale obrigatoriamente para todos os 6 meses do 1º semestre/2027.
Por que não esperar para decidir
- A análise leva tempo. Um diagnóstico tributário sério envolve levantar dados, simular cenários, mapear clientes e fornecedores. Quem começa em agosto/2026 vai decidir com pressa, e pressa em tributação é cara.
- Os concorrentes não vão esperar. Empresas que optarem pelo Simples Híbrido em janeiro/2027 já vão aparecer como "fornecedor que gera crédito" antes de você se preparar.
- A adaptação operacional precisa de tempo. Optar pelo Simples Híbrido muda a emissão de notas e a apuração de tributos. Isso precisa ser implementado com calma.
Os 5 passos para se preparar agora
O ponto mais importante deste capítulo
Setembro/2026 não é um prazo para tomar a decisão, é um prazo para formalizar uma decisão que deveria já ter sido tomada com base em análise. Empresas bem preparadas terão vantagem. As que chegarem no último momento decidirão sob pressão.
Chegar em setembro/2026 sem análise é decidir no escuro, e o concorrente preparado leva o seu cliente.
Não precisa fechar nada agora. Comece com uma conversa: entenda como a Reforma impacta o seu negócio e veja como a Accertive pode ajudar a chegar preparado, com tempo para adequar a operação com calma.
Como a Accertive pode ajudar a sua empresa
Este guia deu o mapa. O diagnóstico tributário dá o caminho específico para o seu negócio, com os seus dados, os seus clientes e os seus fornecedores.
A diferença entre teoria e diagnóstico
Você acabou de ler 7 capítulos sobre como a Reforma Tributária funciona. Mas há uma diferença enorme entre entender a teoria e saber o que ela significa para os números da sua empresa.
Um diagnóstico tributário profissional trabalha com os seus dados reais: seu faturamento, sua DRE, seus clientes, seus fornecedores. O resultado é uma análise que você pode usar para tomar uma decisão, não apenas para entender o problema.
O que o diagnóstico da Accertive entrega
Diagnóstico do 2º semestre/2027: entregue até março de 2027, reavalia com base no comportamento real do 1º semestre e define o regime para julho a dezembro. Como a opção pelo Simples Híbrido é semestral, cada janela exige uma análise específica.
Perguntas frequentes
Quem é a Accertive
A Accertive Soluções Digitais apoia empresas na organização de informações, análise de cenários e tomada de decisão com mais clareza. Neste material, a proposta é transformar a Reforma Tributária em uma leitura prática, conectada aos dados reais do negócio.
Não oferecemos uma leitura genérica. A proposta é trabalhar com dados reais, cenários comparáveis e recomendações que ajudem a empresa a decidir com segurança.
O Diagnóstico Tributário é para você?
Acreditamos que clareza no início economiza tempo de todo mundo. Antes de marcar uma conversa, vale verificar se o Diagnóstico realmente faz sentido para o seu caso.
- Mais de 30% da sua receita vem de empresas (não de CPF)
- Você tem faturamento entre R$ 360k e R$ 4,8M/ano e está hoje no Simples Nacional
- Você precisa tomar decisão sobre o Simples Híbrido antes de setembro/2026
- Quer evitar perder cliente do Regime Geral para um concorrente que migrou primeiro
- Tem dúvidas sobre como ajustar preços e contratos para 2027
- Quer um documento técnico formal para fundamentar a decisão de regime
- Você vende quase exclusivamente para CPF (consumidor final) e não exporta, o impacto da Reforma na sua competitividade é mínimo
- Sua empresa está fora do Simples Nacional há tempos e tem governança tributária madura
- Você é MEI ou microempresa muito pequena (faturamento < R$ 200k/ano), o custo do diagnóstico não se paga no seu cenário
- Você já tem um diagnóstico recente feito por outro escritório e só quer "uma segunda opinião", isso não é o nosso serviço
- Você quer trocar de contabilidade, o Diagnóstico é análise pontual, não troca de contador
Honestidade é parte do trabalho. Se a sua situação não se encaixa, vamos te dizer, e indicar o caminho mais adequado, mesmo que não seja com a gente.
Pronto para tomar a decisão
com clareza?
O diagnóstico tributário da Accertive analisa os dados reais da sua empresa e entrega uma recomendação fundamentada, antes de setembro/2026.
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